Ainda que não tenha sido brilhante, Rodrigues Neto foi um lateral, que embora destro, começou na esquerda, mas jogava bem nas duas, tanto quanto como volante, dos primeiros que vi chutando de meia distância. Décimo terceiro na lista dos que mais vestiram a camisa do Flamengo – 439 jogos – durante oito anos, de 67 a 75, teve uma carreira de 23 anos, iniciada no Vitória, da capital do Espírito Santo, e concluída no único jogo de que participou ao voltar ao Flamengo.

DOIS TÍTULOS – Rodrigues Neto foi campeão carioca em 72 – em 20 dos 27 jogos e fez 2 gols -, na lateral-esquerda, com Zagallo no comando do time que marcou 43 gols, 16 do artilheiro Doval. Em 74, com o ex-lateral Jouber como técnico, Rodrigues Neto marcou só um gol nos 25 dos 27 jogos da campanha em que Zico foi o artilheiro com 19, e Júnior era o lateral-direito. 

NA MÁQUINA – Ainda jogou em 75 no Flamengo, saindo em 76 com o goleiro Renato e o artilheiro Doval, enquanto o Fluminense cedia o goleiro reserva Roberto, o lateral Toninho e o ponta Zé Roberto. No bi da Máquina Tricolor, com o técnico paulista Mario Travaglini, Rodrigues Neto continuou lateral-esquerdo e não fez gol em 29 dos 32 jogos, mas teve sempre boas atuações, como na sequência em que o Fluminense ganhou o Torneio de Paris e a Taça Teresa Herrera, na Espanha.

ÚLTIMO TÍTULO – Rodrigues Neto voltou a ser moeda de troca, em 77, quando saiu junto com Paulo Cesar Caju e Gil para o Botafogo, que deu ao Fluminense os laterais Miranda e Marinho Chagas. O Torneio Início do Campeonato Carioca, extinto em 77, foi o único título que Rodrigues Neto ganhou no Botafogo, onde ficou até 78, saindo para três temporadas no Ferrocarril Oeste, da Argentina. Na volta, foi bicampeão gaúcho em 81-82 no Internacional, e retornou à Argentina para jogar no Boca Juniors em 82-83. 

CAMPEÃO MORAL – Na seleção, em 19 jogos, de 72 a 78, Rodrigues Neto foi reserva de Marco Antonio na Copa Independência e só disputou alguns minutos da final em que o Brasil ganhou (1 x 0) de Portugal, diante de 100 mil torcedores no Maracanã. Na Copa de 78, entrou em quatro dos sete jogos, inclusive o da decisão do terceiro lugar – 2 x 1 na Itália -, o que levou o técnico Claudio Coutinho, que gostava das frases de efeito, a dizer que “o Brasil foi campeão moral”, ao terminar invicto em terceiro.

RODRIGUES NETO, mineiro de Galileia, município da região do Vale do Rio Doce, no noroeste do estado e a 380 km da capital Belo Horizonte, era diabético e morreu ontem (29), em decorrência de uma trombose. Completaria 70 anos no dia 6 de dezembro. Nos nossos contatos de jogador e repórter, mantivemos sempre bom relacionamento. Era um profissional atencioso e respondia sempre bem a todas as perguntas. Que Deus o receba e dê muita luz ao seu espírito.

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