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ENQUANTO REPÓRTER, estou entre os que conviveram com Zagallo durante mais de 40 anos, em clubes e seleção. Acompanhei o trabalho dele desde 1958, ao chegar de Manaus ao Rio, e o vi bicampeão em 61 – 62 no Botafogo, com Garrincha, Didi, Quarentinha e Amarildo, ataque notável, só comparável ao do Santos de Dorval, Mengalvio, Coutinho, Pelé e Pepe, os melhores da história de sempre.

SAíDO JUVENIL DO AMÉRICA, Zagallo foi um dos primeiros tricampeões no Maracanã, 53- 54- 55, compondo com Joel Rubens, Índio, Benitez (Evaristo e Dida), o ataque rolo compressor do Flamengo, dirigido pelo paraguaio Fleitas Solich, que sempre reconheceu como seu melhor técnico.

FOI NO BOTAFOGO, pouco depois de encerrar a carreira de jogador, que Zagallo iniciou a mais vitoriosa trajetória de técnico, dirigindo os juvenis em 1966, quando lançou Rogério, Roberto, Jairzinho e Paulo Cezar, todos por ele convocados para a Copa de 70.

PONTA-ESQUERDA BICAMPEÃO em 61- 62, Zagallo voltou a ser bi em 67- 68, comandando o time que ganhou 24 jogos e sofreu só duas derrotas. O sucesso o levou ao comando da seleção, após a demissão de João Saldanha, deposto pelo governo militar, ao reagir à fala do general Médici, que queria a convocação do atacante Dario: “Ele escala o ministério e eu convoco a seleção”.

O MAIS JOVEM CAMPEÃO

ZAGALLO ASSUMIU e se tornou no primeiro campeão do mundo como jogador e técnico, na primeira Copa, das três Copas que o Brasil ganhou. Tornou-se também no primeiro técnico campeão do mundo mais jovem, dois meses antes de completar 39 anos.

QUATRO ANOS DEPOIS, foi o primeiro a dirigir a seleção, pela segunda vez consecutiva, em Copa do Mundo, em que perdeu a decisão do terceiro lugar para a Polônia, só ser eliminado pela Holanda na semifinal.

RECORDISTA, ZAGALLO dirigiu a seleção em 135 jogos, com 99 vitórias, e entre março de 70 e junho de 73, ficou 35 jogos sem perder, com 12 vitórias consecutivas.

UM DOS QUATRO TITULARES nas duas primeiras Copas que o Brasil ganhou, Zagallo participou dos 12 jogos de 58 e 62 o que só Gilmar, Nilton Santos e Didi também conseguiram. Sua carreira na seleção, de 58 a 64, foi marcada por 37 jogos, 6 gols, 30 vitórias, 4 empates e 3 derrotas.

Zagallo, comentarista da TV Manchete na Copa de 90, com o repórter Deni Menezes, na entrada do Comitê de Imprensa, em Roma.

ZAGALLO FOI O ÚLTIMO TITULAR da primeira Copa do Mundo ganha pelo Brasil, a passar para o plano superior, um ano depois de Pelé com quem formou a ala-esquerda de 58, e a quem dirigiu como o melhor da Copa de 70. Dos 22 da seleção de 58, ainda vivem Dino Sani, Mazzola, Pepe e Moacir.

ZAGALLO, COORDENADOR-TÉCNICO campeão do mundo em 94, foi o braço-direito do técnico Parreira, seu fiel escudeiro, preparador físico e observador dos adversários do Brasil na Copa de 70, e vice-campeão em 98, sua última Copa. Zagallo foi técnico também das seleções do Kuwait, Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos.

QUE DEUS DÊ MUITA LUZ AO ESPÍRITO DE MÁRIO JORGE LOBO ZAGALLO.

Fotos: Acervo Deni Menezes, Fogãonet, Portal O Piauí,