OS TRICOLORES DOS ANOS 70-80 ESTÃO TRISTES com a morte de Zezé, o ponta-esquerda campeão carioca de 1980, na manhã desta última 5ª feira de 2021, aos 51 anos, em Recreio, calmo e acolhedor município mineiro, com muitas opções de turismo e lazer, a 322 km da capital Belo Horizonte. Ele sentiu um mal-estar, pouco depois da caminhada de todas as manhãs, respirando ar puro, que o deixava com mais disposição no restante do dia, e logo em seguida sofreu o infarto.   

ANTONIO JOSÉ DA SILVA GOUVEIA, o Zezé, nasceu no dia nobre do futebol, domingo, 30 de junho de 1957, em Muriaé, na Zona da Mata Mineira, e iniciou no Nacional, em 74. Atraído pela força do futebol carioca, que ouvia no rádio, foi para o Rio em 74, mas não teve tanta chance no Bangu, e no ano seguinte conseguiu treinar no Fluminense. Pinheiro, técnico que revelou tantos outros grandes valores, gostou do seu estilo de partir sempre pra cima dos marcadores.

DEPOIS DE SE SAIR BEM em todos os treinos e amistosos, Zezé foi campeão da 3ª Copa São Paulo, em 1977, com Pinheiro – 2º que mais vestiu a camisa tricolor depois de Castilho – repetindo os títulos de 71 e 73. O Fluminense eliminou Grêmio, Cruzeiro e Internacional, e ganhou de virada da Ponte Preta (2 x 1), na primeira final disputada no Morumbi, com 70 mil torcedores, na preliminar do amistoso Brasil 1 x 0 Bulgária, domingo, 23 de janeiro de 77.

O TIME CAMPEÃO da 3ª Copa São Paulo: Pavão, Edevaldo, Tadeu, Valter e Roberto; Dufrayer, Cleber e Mario; Gilcimar, Robertinho e Zezé, que a partir de 77 se firmou na equipe principal, com grandes atuações, no ataque com Luis Carlos, Pintinho, Doval e Zezé. Ele foi sucessor de outro bom canhoto, Lula, autor do gol do título carioca de 71 e depois bicampeão brasileiro no Internacional, com Falcão e Carpegiani no meio-campo.

ZEZÉ MARCOU 102 GOLS EM 173 PELO FLUMINENSE, entre 1976 e 1981, ganhando o título carioca de 80, dirigido pelo ex-meia Nelson Rosa Martins, o Nelsinho, dos bons técnicos da época. O time-base: Paulo Goulart, Edevaldo, Tadeu, Edinho e Rubens; Delei, Gilberto e Mario; Robertinho, Claudio Adão e Zezé, que fez 3 gols em 21 dos 24 jogos. O Fluminense venceu o Vasco na final por 1 x 0, gol de Edinho, de falta, aos 22 do 2º tempo, diante de 108.957 pagantes.

DEPOIS DE CHEGAR À SEMIFINAL do Brasileiro de 82 pelo Guarani, no ataque com Lúcio, Jorge Mendonça, Careca e Ernani, Zezé foi para o Flamengo, mas pouco jogou. O técnico Carpegiani queria que ele voltasse para ajudar na marcação, mas o ponta não gostava: “Atacante não marca, é marcado”. Na seleção, em 79, fez três jogos com Claudio Coutinho: 1 x 1 com a seleção baiana, 2 x 2 e 6 x 0 com o Paraguai.

ZEZÉ tinha muito medo de viajar de avião e contou ter sonhado várias vezes que morreria durante um voo: “Só de pensar que ia entrar em avião, começava a passar mal dois, três dias antes”. Uma turbulência, daquelas bem fortes, em viagem a São Paulo, em 78, fizeram com que as pernas tremessem desde o início do jogo, sem que conseguisse terminar o primeiro tempo: “Não passei dos 10 minutos. Não via a bola, só o avião querendo cair com a turbulência”.

COM O RECONHECIMENTO DA POPULAÇÃO, por ter elevado nome do município, Zezé foi homenageado em 2014 com um busto na Praça Santo Antonio, em Recreio. Tive o prazer de conviver com ele e de entrevistá-lo em vários jogos do Fluminense. Como todos os amigos que o admiravam, estou sentido e peço a Deus que dê muita luz ao seu espírito.

Foto: Teceiro Tempo / Blog do Tadeu Miracema