Escolha uma Página

Alegra-me registrar nesta segunda, 13 de abril de 2020, os 66 anos de Roberto Dinamite, ídolo e  artilheiro da linda história de 122 anos que o Vasco vai completar dia 21 de agosto. Alegra-me, sobretudo, porque o vi nascer juvenil, lançado pelo técnico Celio de Souza, em 1971, na época em que a categoria junior ainda não existia. Desde o início, Roberto já mostrava o potencial que teria como um dos maiores goleadores do futebol mundial.

O INÍCIO – Roberto começou em 1968, aos 12 anos, no Esporte Clube São Bento, bairro que virou museu vivo de Caxias, na Baixada Fluminense, onde teve boa base. Fominha, ele pedia muito a bola, mas era raro que devolvesse. O observador do Vasco era Gradim – 1908 – 1987 , técnico do Supersupercampeonato carioca de 58, que o levou sem precisar vê-lo em mais de três jogos. Juvenil do Vasco em 70-71, impressionou com 79 gols em dois anos.

DINAMITE – Antes da estreia no time principal, em 14/11/71, dirigido por Admildo Chirol, o Jornal dos Sports publicou na capa: Vasco escala garoto dinamite, título criado por Aparício Pires, vascaíno, excelente texto, com que trabalhei e aprendi muito na Ultima Hora. Roberto entrou no intervalo, no lugar do meia Pastoril, mas não conseguiu reverter o placar da Fonte Nova, que o Bahia estabeleceu no primeiro tempo e soube manter (1 x 0).

PRIMEIRO GOL – Foi no jogo seguinte que Roberto marcou o primeiro gol como profissional do Vasco, na noite da quinta-feira, 25/11/71, no Maracanã, com o Internacional. Buglê fez 1 x 0 e ele, 2 x 0, em jogo do Campeonato Brasileiro. Bom recordar o Vasco do seu primeiro gol: Andrada, Haroldo, Miguel, Renê e Alfinete; Alcir, Buglê e Beneti; Luis Carlos, Ferreti e Gilson Nunes (Roberto, no intervalo). No dia seguinte, na primeira página do Jornal dos Sports:  “GAROTO-DINAMITE EXPLODIU”

708 GOLS – Excetuando a temporada no Barcelona – 11 jogos, 3 gols -, Roberto jogou 21 dos 22 anos no Vasco: 1.110 jogos, 708 gols (184 em São Januário), com a média de 36 gols/ano. Superou o ídolo Ademir, primeiro artilheiro e campeão carioca no Maracanã – 25 gols em 19 jogos – em 1950. Roberto é o maior goleador do Campeonato Carioca (279), o maior artilheiro do Campeonato Brasileiro (190) e o quinto do futebol mundial, em campeonatos nacionais da primeira divisão, com 470 gols em 758 jogos.

CINCO TÍTULOS – Roberto Dinamite ganhou o primeiro Campeonato Carioca em 1977, com 25 gols em 28 jogos, dos 69 gols do time: Mazaropi, Orlando, Abel, Geraldo e Marco Antonio; Zé Mario, Helinho e Dirceu; Wilsinho, Roberto e Ramon. O técnico Orlando Fantoni – 1917 – 2002 , mordia palito, no canto da boca, o jogo inteiro. Em 1982, Roberto fez 15 gols em 20 dos 25 jogos e durante a temporada marcou seu gol 500 com a camisa do Vasco.

BICAMPEÃO – Roberto, campeão carioca em 87, com 19 vitórias, 15 gols em 8 jogos. Romário fez 16 em 24. No bi, em 88, primeiro campeonato ao vivo na televisão, Roberto só entrou em três jogos, devido às contusões. O técnico Lazaroni só escalou o lateral Cocada no último minuto do último jogo. Ele só fez: cobrar um lateral e marcar o gol da vitória no Flamengo. No dia seguinte, vascaínos esgotaram as cocadas nas bancas do Centro da cidade. 

DESPEDIDA – O quinto título carioca de Roberto foi na despedida, em 92, com 9 gols em 19 jogos. Ademir, ídolo e artilheiro dos anos 40/50, emocionou-se e chorou na tribuna; não resistiu e desceu ao gramado para abraçar Roberto, o ídolo e artilheiro dos anos 70/80/90, que havia anunciado a despedida. Foi na noite de 6/12/92, em São Januário, Vasco 1 (Edmundo) x 1 Flamengo (Marcelinho). O árbitro Jorge Travassos expulsou Júnior e Edmundo.

BRASILEIRO – Roberto foi artilheiro e campeão brasileiro – 2 x 1 no Cruzeiro, no Maracanã -, na noite de 1 de agosto de 74, quando o Vasco iniciava as comemorações dos seus 76 anos (21/8/1898), sob a presidência do advogado Agathyrno da Silva Gomes, uma das grandes amizades que fiz no futebol. Também com 16 gols, ele voltou a ser o artilheiro do Campeonato Brasileiro de 1984, quando completou os 190 gols.

A SELEÇÃO – Acompanhei Roberto na seleção desde a estreia e nos seus títulos de campeão do torneio do Bicentenário dos Estados Unidos em 1976 e depois da Copa Roca, Copa Rio Branco, Taça Oswaldo Cruz e Mundialito de 77 na Colômbia. Nas Copas de 78, na Argentina, e de 82 na Espanha, e artilheiro da Copa América de 83. De 1975 a 1984, ele marcou 20 gols em 38 jogos e foi o artilheiro da seleção na Copa de 78 na Argentina.

HISTÓRICO – Eu vi de perto Roberto marcar cinco gols na sua volta ao Maracanã, no domingo, 4/5/1980, na segunda fase do Campeonato Brasileiro: o volante Caçapava fez 1 x 0 Corinthians, aos 11, e Roberto fez quatro gols, aos 13, 27, 37 e 39 minutos. Sócrates marcou o segundo do Corinthians aos 43, e na volta do intervalo, Roberto fechou o jogo histórico, aos 27, com seu quinto gol, levando 104 mil vascaínos ao delírio!!!

O TIME – No jogo dos cinco gols de Roberto Dinamite, o time do Vasco: Mazaropi, Orlando, Juan, Leo e Paulo Cesar; Dudu, Guina e Jorge Mendonça; Catinha (Paulo Roberto), Roberto e Paulinho (Ailton). Técnico – Orlando Fantoni. Depois desse jogo, Dulce Rosalina, da torcida Renovascão, Vasco campeão, passou a colocar nas grades da arquibancada da tribuna de honra a faixa: Roberto, o artilheiro dos artilheiros.

O POLÍTICO – Com seu prestígio de artilheiro e de melhor jogador do Vasco de 1974 a 1986, Roberto foi eleito vereador com 34.893 votos em 1992, e em cinco mandatos consecutivos de deputado estadual: 1994 – 68.516 votos. 1998 – 44.993 votos. 2002 – 53.172 votos. 2006 – 49.097 votos. 2010 – 39.730 votos. Ele ganhou a Medalha do Mérito Esportivo do presidente José Sarney e 15 títulos de Cidadão Honorário de municípios do Rio de Janeiro.

ROBERTO DINAMITE elegeu-se presidente do Vasco em 2008 e reelegeu-se em 2011. Seu último gol com a camisa do Vasco, 1 x 0 no Goytacaz, em São Januário, em 26/10/92. Seu último jogo com a camisa do Vasco 0 x 2 com o Deportivo La Coruña, em amistoso no Maracanã, em 24/3/93. Os times que mais sofreram gols de Roberto Dinamite: Fluminense (43), América (30), Botafogo (28), Flamengo, Bangu e Americano (27).

Foto: Esporte Interativo, CBF, NetVasco, Medium, Imortais do Futebol e Museu da Pelada