O Flamengo estreia na noite desta terça (5) na Copa Libertadores da América de 2019, tentando recuperar o título que só ganhou uma vez, em 1981, quando também se tornou o único carioca a conquistar o Mundial de clubes. Desde então, foram onze participações sem sucesso no maior torneio de clubes da América do Sul. O adversário de estreia, na altitude de 3.750 metros da cidade de Oruro, no centro-oeste da Bolívia, é o San José, só duas vezes campeão nacional, em 1995 e 2007.

PASSAM DOIS – Trinta e dois times, divididos em oito grupos, disputam duas vagas em jogos de ida e volta. O terceiro de cada grupo ainda tem a chance de participar da Copa Sul-Americana no segundo semestre. Além do Flamengo e do San José, fazem parte do Grupo D a Liga Deportiva Universitária (LDU), do Equador, campeã em 2008, e o Peñarol, do Uruguai, terceiro maior vencedor com cinco títulos e primeiro campeão em 1960. O San José participa pela sétima vez e não foi além da segunda fase.

JOGO INÉDITO -É o primeiro jogo da história entre os dois times e pode ter na tribuna do estádio Jesus Bermudez – 32 mil lugares – a presença dos torcedores mais ilustres do San José, o presidente Juan Evo Morales, de 59 anos, e a prefeita Rossio Carolina Pimentel, jornalista de 50 anos, ambos nascidos em Oruro, que quer dizer “lugar onde nasce a luz”. Oruro é a sexta cidade mais populosa da Bolívia – 270 mil habitantes -, entre as cidades de Potosi e La Paz, a capital do país.

SEIS HORAS ANTES – O Flamengo ficou dois dias em Santa Cruz de La Sierra, sem altitude, e chegará a Oruro seis horas antes do jogo, tempo mínimo determinado pelo regulamento da Confederação Sul-Americana de Futebol. Sem o zagueiro Rodolfo, com dores musculares, e o atacante colombiano Uribe, com entorse do tornozelo, o time deve iniciar com Diego Alves, Pará, Léo Duarte, Rodrigo Caio e Renê; Cuellar, Arão, Arrascaeta e Diego; Bruno Henrique e Gabriel. Será o nono jogo oficial do Flamengo em 2019, com 6 vitórias, 1 empate, 1 derrota.

Néstor Clausen e Abel Braga / diez.bo

ARGENTINO – Néstor Clausen, de 49 anos, ex-zagueiro do Independiente, de Buenos Aires – maior campeão da Libertadores com sete títulos -, fez parte da seleção argentina campeã do mundo em 86. Como técnico, dirigiu o time no último título em 84, quando também ganhou o Mundial de clubes. Em 95, Clausen foi o treinador campeão da Supercopa Libertadores. O San José disputou a Libertadores em 92, 93, 96 – única vez em que chegou à segunda fase -, 2008, 2013 e 2015.

MANDANTE – Entre os 14 times do Campeonato Boliviano, o San José está em sexto com 14 pontos – 3 vitórias, 5 empates, 2 derrotas – e tem o ataque mais positivo (22), mas também a defesa mais vazada (22). Como mandante, ocupa o nono lugar com saldo de apenas três gols: 12 marcados, 9 sofridos. O time voltou a vencer na última rodada – 2 x 1 no Sport Boys -, após uma derrota e três empates. Está oito pontos atrás do líder, o Nacional, de Potosí, com 22 pontos.

Estádio Jesus Bermudez / diez.bo

ESTÁDIO – Inaugurado em 1955, o estádio de 32 mil lugares ganhou o nome de Jesus Bermudez – 1902 – 1945 -, nascido em Oruro, em homenagem ao ex-goleiro da seleção boliviana, na primeira Copa do Mundo, em 1930, em que só fez dois jogos, perdendo ambos de 4 x 0, para a Iugoslávia e o Brasil. No jogo de estreia, a seleção da Bolívia fez uma homenagem aos promotores da Copa e cada jogador tinha na camisa uma letra de Viva Uruguai. A letra G foi na camisa de Jesus Bermudez.

TRISTEZA – Registrou-se há seis anos no estádio Jesus Bermudez, onde o Flamengo jogará na noite desta terça (5) com o San José, a cena mais triste do futebol boliviano, na noite de 23 de fevereiro de 2013. Um sinalizador lançado por torcedores do Corinthians para comemorar um gol, foi direto ao olho direito do jovem Kevin Beltran Spada, de 14 anos, que morreu na ambulância, antes de chegar ao hospital. 12 torcedores foram presos e só liberados meses depois, a pedido do presidente Lula ao presidente Evo Morales. O Club Deportivo San José vai completar 77 anos de fundação no próximo dia 19.