A prestigiosa France Football, revista de circulação bissemanal, às terças e sextas, desde 1946, deixará de promover, pela primeira vez, a festa de premiação do melhor jogador do mundo, em virtude da alteração do calendário, provocada pela epidemia do novo coronavírus. Desde 2010, a revista cedeu parte dos direitos, e o prêmio que criou, Ballon d’Or (Bola de Ouro, em francês), passou a ser Bola de Ouro da FIFA, que reconheceu a ideia criativa, a força e o conceito do grande evento.

TIME DOS SONHOS – A reputação da Bola de Ouro ganhou dimensão mundial, com a festa de gala da noite de entrega do prêmio, sempre em um grande cenário, como em 2019, no suntuoso e mundialmente famoso Teatro alla Scala, da belíssima Milão, a mais famosa casa de ópera do mundo. Em dezembro de 2020, a France Football e a FIFA anunciarão o Dream Team (Time dos sonhos), com a escalação dos 11 maiores jogadores das 21 Copas do Mundo, de 1930 a 2018.

SETE BRASILEIROS -A primeira lista, com 10 goleiros e 18 laterais, foi divulgada ontem (5), sem nenhum goleiro brasileiro, mas com sete laterais brasileiros, quatro deles campeões do mundo. Os nomes dos meios-de-campo serão anunciados na próxima segunda (12), e os nomes dos atacantes na segunda seguinte (19). A partir de então, os 170 jornalistas, dos cinco continentes, iniciarão a análise e votarão nos 11, que comporão o time dos sonhos das Copas.

PELÉ E MAIS 10 – Com certeza, os jurados terão que escolher 10, com Pelé hours concours, expressão francesa que significa fora do concurso, muito superior aos demais competidores. O que causa estranheza, na primeira lista, é que Gilmar, bicampeão, titular nos doze jogos das Copas de 58 e 62, não esteja entre os 10 goleiros, como estão, com justiça, os italianos Dino Zoff e Gianluigi Buffon; o russo Lev Yashin; os alemães Sepp Maier e Manuel Neuer, e o espanhol Iker Casillas

DOIS CAPITÃES – Entre os nove laterais, Carlos Alberto Torres, em 1970, e Cafu, em 2002, ergueram a taça, embora, na minha ótica, Nilton Santos seja, como Pelé, titular absoluto. Djalma Santos – melhor da FIFA na Copa de 58, mesmo disputando só a final, e titular em todos os jogos, no bi, em 62 -, briga bem pela lateral-direita. Junior e Roberto Carlos merecem; Marcelo, um pouco menos. Bons os alemães Vogts e Philipp Lahm (direita), e Breitner e Brehme (esquerda). Bons também os italianos Claudio Gentile e Giuseppe Bergamo (direita), e Antonio Cabrini, Giacinto Facchetti e, principalmente, Paolo Maldini.

MEIAS E ATACANTES – As duas listas finais, com os meias e os atacantes, provocarão ainda mais controvérsia, bem de acordo com a escalação dos melhores, polêmica que nunca ficará sem discussão. Há tantos meias e atacantes de qualidade excepcional, que os jurados precisarão ter que se lembrar de jogadas e de gols geniais, gravados na história. Só uma pequena amostra grátis: Maradona, Messi, Di Stefano, Puskas, Didi, Gérson, Rivellino, Ronaldo Fenômeno, Cruyff… Na minha seleção, Pelé, Garrincha e mais nove!

Foto: Record